terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Primeira Lista


Blues da piedade – Cazuza
Vício – Cidadão Quem
Toda a forma de poder – Engenheiros do Hawaii
Hoje eu quero sair só – Lenine
Além do que se vê – Los Hermanos
Um girassol da cor de seu cabelo – Nenhum de Nós
Sonho de uma flauta – O Teatro Mágico
Marca Página – Sabonetes
Semáforo – Vanguart
Você é má – Zeca Baleiro
Canção pra não voltar – Banda Mais Bonita da Cidade


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domingo, 19 de junho de 2011

As Brinzimbungas Bruxuleantes de Mr. Green - 1.1


Ao som de Cherbourg - Beirut

[Primeira parte - Narrador situa-se na beira do palco, com as cortinas fechadas. Suas vestes são pretas e compridas, o rosto coberto por maquiagem branca, exceto as pálpebras, que possuem uma tinta preta impenetrável. Sorri de forma sarcástica, mas alegre.]

Esfacelaram-se inteiras as cores
Mergulhadas num rio de plutônio
Nelas cantam os sábios temores
De um vistoso palhaço Jacônio

Na fronte agora a coroa
Desenhada em ouro e marfim
Enegrece a nobre pessoa
A que todos chamavam de Green

[As cortinas sobem e o cenário fica à mostra. O lugar é um quarto luxuoso, digno de um rei. Green situa-se em frente a um espelho redondo que reflete toda a sua figura, coberta de panos cor de sangue, que contrastam bruscamente com o brilho amarelado de sua coroa e dentes. O homem está de costas para a cama de grande tamanho, o baú onde guarda seus trajes e a parede apinhada de quadros de palhaços e figuras circenses. Amélia, atrás da porta, traja um vestido longo e branco, que só não a faz parecer-se com uma noiva pelas bolsas pesadas sob os olhos.]

Mr. Green - [triste]
De que me adianta o ouro
As vestes de cetim bordô
Se como um ínfimo agouro
Em mim grita um triste pierrô?

Sou antagônico à liberdade
Sou a carne por trás da máscara
Ou seria a máscara minha verdade?
Verdade... [pensativo] Devolvam-me a verdade! [ensandecido]

[Subitamente batem à porta, fazendo o homem estremecer. As batidas secas e fortes ecoam por todo o quarto, seguidas por um pequeno empurrão que deixa à mostra os olhos cansados que espreitam do outro lado. Green encara a mulher amedrontado, encolhendo-se levemente.]

Amélia: [sarcástica]
Querem-te à mesa nesse instante
Se terminares as lamúrias a tempo
Engulas esse sentimental farsante
Ou verás teus desejos ao vento

[A porta se fecha de maneira estrondosa, seguida por um silêncio momentâneo. O palhaço volta a encarar o espelho, com mais pressa do que antes. O narrador volta, andando vagarosamente pelo quarto.]

E assim o pierrô tristonho
Apressou-se a de rei se fingir
Mal sabia que seu funesto sonho
Lá em baixo incansava-se a rir
E mentir...

[Fim da primeira parte do primeiro ato.]

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Lucy

O vento marítimo fazia as árvores deitarem e se levantarem repetidamente naquela manhã, dando à praia uma visão nostálgica e sonolenta. Não que Lucy precisasse disso.
A garota apoiava-se em um tronco grosso e roliço jogado na areia, em uma posição entre sentar-se e acocorar-se. Seus olhos profundamente azuis refletiam o mar turbulento em uma visão convexa, multiplicando ainda mais a imensidão do que já parecia infinitamente imenso.
Seus pensamentos vagavam muito longe dali, na selva de pedras que a esperava à alguns quilômetros de distância. A quantidade incomum de mudanças em sua vida nos últimos dias estava literalmente tornando as coisas muito difíceis de visualizar. A verdade é que esse tipo de sensação sempre acompanhara Lucy, desde quando havia descoberto o porquê de não ter uma mãe como as outras crianças.
E agora, quando a garota completa dezoito anos, a progenitora resolve dar as caras e transformar tudo o que estava pacificamente arruinado em um vortex de caos novamente. Achava completamente injusto, com seu pai e com ela mesma, que depois de tanto tempo aquela mulher pudesse decidir participar de suas vidas tranquilamente, pisando nos anos de abandono como se eles nunca tivessem acontecido.
E como ela estava arrependida agora. Lucy sentia nojo dela, sem se importar com o que os outros pensavam sobre isso. Não é como se ela fosse sua mãe de verdade. A garota apertou com força uma das pedras que estavam sobre a areia, arremessando-a logo depois o mais longe que conseguia. Desviou o olhar para um grupo de pássaros que se bicavam gentilmente no ar.
Sentia-se sozinha, mais do que nunca. Aquela sensação de que ninguém a levava a sério corroia seus órgãos, abalava seus sentidos. Mesmo as pessoas em quem ela acreditava sem receios a decepcionaram, o mundo parecia estar de cabeça pra baixo e, ironicamente, só ela havia percebido.

Ela, que não era a Lucy nos céus com diamantes, nem a Lucy esquecida. Apenas Lucy, com uma série de títulos disponíveis não tão agradáveis nem tão poéticos. Uma garota comum, sem ter realmente o que mostrar para o mundo, havia percebido o que sua família perfeita e exemplar não conseguiu. Aqueles pensamentos a faziam rir de escárnio, um impulso quase doentio. Seus irmãos eram tão impressionantes, sua madrasta era tão responsável. Todos tão preocupados com a bastarda pequena e frágil.
A sutileza a abandonara e agora ela sabia que teria que mudar. Não poderia ser o brinquedinho de todos os outros, a bonequinha de porcelana isolada em sua abóbada. Aquele não era o seu papel na Terra, tinha certeza. Tinha que encontrar seu próprio caminho, e se isso significasse deixar aqueles que a prendiam pra trás, assim seria.

- Lucy? – A garota virou-se, acordando do transe. – Hora de irmos.
Seu pai a encarou por alguns segundos, sem entender o porquê de ela ainda estar sentada sem mover um músculo.
- Não. – Ela engoliu em seco, os cabelos loiros encaracolados esvoaçando. – Não tenho mais o que fazer em sua casa.

Uma das sobrancelhas do homem ergueu-se intrigada, e quando ele se preparava para falar, Lucy foi mais rápida.
- Vou ficar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Have this darkness a name?

“Essa escuridão tem um nome? Essa crueldade, esse ódio, como ele nos encontrou? Ela se meteu em nossas vidas, ou nós a procuramos e a abraçamos? O que aconteceu conosco, que agora mandamos nossos filhos para o mundo, como mandamos jovens para a guerra… Esperando que voltem a salvo, mas sabendo que alguns deles se perderão no caminho. Quando perdemos o nosso caminho? Consumidos pelas sombras, engolidos completamente pela escuridão… Essa escuridão tem um nome? Acaso, é o seu nome?” OTH